Dilma não sabe como melhorar os portos.
28-09-2012 20:15As mais recentes notícias de Brasília indicam que o governo ainda não sabe o que fazer para melhorar os portos. Dilma e sua equipe consideram as companhias docas ineficientes - e como não seriam, com altos passivos e estrutura esclerosada? - querem acabar com o Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) e Conselho de Autoridade Portuária (CAP), mas não sabem exatamente como fazê-lo. No ponto mais importante, também há dúvidas. O governo atual considera que o Decreto 6.620, da era Lula - influenciado por Pedro Brito - engessa o setor, ao impedir a concorrência, mas não sabe como proceder para evitar disputa predatória, que não só prejudica quem está estabelecido como inibe investimentos, exatamente o contrário do que se deseja alcançar. Pior do que engessar o setor é trazer insegurança a investidores.
Observadores afirmam que os modelos asiáticos não podem ser transplantados, pois lá, praticamente, não existe justiça. Se um funcionário do governo telefonar para um operador e disser para não realizar mais um procedimento, isso vale mais do que uma lei. O sistema europeu é mais factível, mas todos sabem que, no Brasil, tanto governo como operadores não têm a consciência dos dirigentes do velho continente. Sabe-se que o megaempresário Jorge Gerdau conseguiu provar a Dilma Rousseff ser absurdo impedir que dono de um terminal de aço - como ele - em meses de baixa, não possa movimentar outras cargas.
Também é ridículo a lei se referir a terminal de contêineres para carga própria, pois nem um grupo como Casas Bahia/Ponto Frio teria contêineres em volume suficiente para operar só com carga própria. Contêineres pressupõem carga totalmente diversificada. Em resumo, Brasília quer algo difícil: estabelecer concorrência, mas sem prejudicar quem já investiu em terminais.
Na década de 1990, em ato tresloucado, o então presidente Fernando Collor acabou com a Portobrás. A decisão, em vez de melhorar, só piorou o sistema. A Docas do Rio teve de assumir uma dívida gigantesca da Portobrás e se tornou inviável; uma companhia docas do Nordeste ficou responsável por portos no Sul; e os empregados, que foram demitidos, não só foram reintegrados como receberam altas indenizações, pagas pela União. Portanto, se Dilma demorar um pouco, será melhor do que adotar medidas emocionais.
Fonte: Monitor Digital / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.
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