No Porto, drible no preconceito e muito trabalho.
09-11-2013 08:44Há algum tempo elas saíram do escritório e começaram a ser vistas em meio à movimentação de cargas. Se, antes, as mulheres eram contratadas apenas para o setor administrativo de terminais portuários, agora elas estão conquistando outros espaços. No entanto, para muitos ainda é uma surpresa encontrá-las em um processo seletivo para setores que, no passado, eram tipicamente masculinos.
No Porto de Santos, Jaqueline Lira Rodrigues, de 36 anos, vive hoje em um dos universos até então formados apenas por funcionários do sexo masculino. Única eletricista do complexo santista, ela trabalha nas instalações da Libra há um ano e meio. É a segunda empresa do setor em que atua. A primeira foi a Caramuru.
No seu currículo, há ainda a Usiminas, Stholthaven, Bunge e Rhodia. "Quando participei da seleção na Libra só tinham homens concorrendo. Eles acham que você vai concorrer a qualquer outra vaga, menos de eletricista. Pensam que vai para o escritório ou que sou engenheira", destacou.
Na Libra, Jaqueline é responsável pela manutenção preventiva e corretiva de toda a elétrica dos equipamentos, como os transtêineres, usados para retirar contêineres do caminhão para o pátio.
"É preciso ter disposição porque tem que subir e descer escada o tempo todo. Dependendo do serviço, é pesado, mas ninguém vai deixar pegar uma coisa que não aguente. Tem que realmente gostar e eu tenho amor pelo que eu faço", disse Jaqueline, que chama os aparelhos carinhosamente de "meus filhinhos".
O interesse pela profissão é de família. O pai, que não teve chance de estudar, era eletricista residencial e costumava fazer serviços para amigos e conhecidos. O tio era industrial e também trabalhou na Caramuru. Para seguir os mesmos passos, Jaqueline se matriculou no Senai aos 15 anos, onde se formou no curso de técnica em instrumentação.
"Sempre trabalhei na área industrial e estou no cais desde 1999, onde também sou elétrica industrial, mas é diferente, tem as suas particularidades. Além disso, é preciso ter mais cuidado, pois tem trem passando o tempo todo".
Apesar de conviver a maior parte do tempo com homens, Jaqueline não sofre preconceito. Pelo contrário, após algum tempo no ramo, ela passou a ser protegida pelos colegas de trabalho.
"O começo no cais é mais difícil, pois só tem estivador, caminhoneiro, mas depois o pessoal pega amizade e a gente acaba mais protegida. Até na hora de falar. Às vezes eles falam alguma besteira e pedem desculpas por esquecerem que eu estava ali", comentou.
Para mulheres de outros setores da Libra, Jaqueline é vista como um exemplo a ser seguido. "Elas perguntam 'você, eletricista, como assim? É fácil? Onde estuda isso?' Algumas meninas da empreiteira começaram a estudar também".
Jaqueline pretende continuar se aperfeiçoando. O objetivo é fazer engenharia elétrica, afirmou a moça, que conheceu o marido durante o curso no Senai. Assim como a eletricista, ele também atua no setor portuário, como engenheiro na Cosan, empresa do segmento sucroalcooleiro. "Não tem jeito, sou apaixonada por elétrica".
Fonte: A Tribuna / Usuport - Adaptado pelo Site da Logística.
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